A extrema direita vive um cenário de incertezas no Brasil a partir da inelegibilidade do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.
No Espírito Santo, mais especificamente em Cachoeiro de Itapemirim, o principal nome do partido, ex-vereador Léo Camargo, fez um movimento que gerou especulações de uma possível desfiliação.
Camargo, que ficou em 2⁰ lugar nas eleições municipais de 2024, foi nomeado em cargo da mesa diretora da Assembleia Legislativa (Ales), presidida pelo deputado Marcelo Santos (União Brasil). Esse assunto, entre outros – como a relação com o deputado federal Gilvan da Federal -, foram tratados com o político nesta entrevista que segue abaixo:
Você teve uma votação expressiva nas eleições para prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, em 2024, ficando em 2⁰ lugar. O que você tem feito para tentar manter parte desse eleitorado? E qual é o maior desafio para isso?
A eleição de 2024 realmente mostrou uma força grande para nosso projeto, 24 mil pessoas confiaram em nós e isso é muito prazeroso. Tenho tido conversas importantes todos os dias com lideranças que nos ajudaram em 2024 e que continuam nos ajudando, isso vem nos fortalecendo a cada dia e levando nosso nome e projeto adiante, e tem dado muito certo.
O interesse em disputar uma vaga na Ales, no próximo ano, já foi manifestado publicamente por você. Obviamente, é importante sair fortalecido de Cachoeiro, no que diz respeito a votos. No entanto, também é necessária a articulação em outros municípios. Por onde você está fazendo essa construção? O seu partido tem ajudado nisso?
Sim, e por isso já estamos consolidados em 20 municípios no sul do estado, conversando com lideranças importantes com a pauta de fortalecimento das políticas públicas para o sul capixaba, pois atualmente estamos muito defasados. O meu partido PL tem dado sim toda estrutura possível para nossas articulações.
Existe uma disputa interna no partido, entre nomes do sul do estado, para concorrer para deputado estadual – o que é natural e democrático. Atualmente, como está a relação e o clima entre vocês?
A relação está sendo respeitosa, cada um buscando seu espaço, isso é bom. Mas temos buscado um diálogo para que possamos nos fortalecer, bom mesmo se todos nós uníssemos em prol de um nome só, pois não teria divisão, e depois já pensaríamos em outro grande e importante projeto para 2028.
Você esteve como assessor do deputado federal Gilvan da Federal. Ele foi afastado e retornou em agosto. Por que você não retornou à assessoria dele?
Prefiro não comentar sobre o deputado, desejo que Deus o abençoe.
Houve algum racha de sua parte com o deputado Gilvan?
Ele é um dos líderes do PL no estado, eu preciso respeitar ele, nada mais.
Depois disso, o deputado estadual Wellington Callegari (PL) te nomeou como assessor. E, no dia 17 de outubro deste ano, você foi nomeado como Subdiretor de Controle Social e Conselhos Municipais. Com isso, no mercado político, surgiu a ‘leitura’ de uma aproximação sua com o presidente da Ales, Marcelo Santos (União Brasil); consequentemente, a suspeita de uma possível saída sua do PL. O que realmente aconteceu e existe a possibilidade de você se desfiliar do PL?
Minha aproximação e amizade com o deputado Marcelo Santos é desde 2020, e eu lhe tenho como um dos melhores políticos do Brasil, muito bem articulado e ainda acho que um dia será o governador deste estado. O deputado Callegari é meu amigo, e essa aproximação ficou ainda mais estreita quando nós nos encontramos dentro do PL, estou na Ales graças à sua articulação. A possibilidade de eu querer sair do PL é 0%, estou nele desde 2020, ano que fui eleito vereador pelo município de Cachoeiro de Itapemirim. O PL é o maior partido do Brasil, temos o melhor presidente da história do Brasil (Bolsonaro) e o melhor senador da República (Magno Malta). O PL é minha casa, só sairia de lá se eles não quisessem minha presença.
A eleição proporcional de 2026 promete ser muito disputada, considerando os possíveis candidatos do sul do estado. Quantas cadeiras você avalia que o sul pode ocupar e como enxerga as suas chances?
Nossa leitura é que o sul do ES consiga obter entre 4 e 5 cadeiras na Ales, e estamos trabalhando para que uma dessas cadeiras seja nossa. Nossas chances são enormes por conta de tudo que construímos junto à população com muita humildade. Queremos muito ter a oportunidade de representar o estado do Espírito Santo com nossos posicionamentos conservadores, projetos de leis importantes para o progresso do estado, fiscalizar com bastante rigor o governo do Estado para garantir todos os direitos da população capixaba, enfim ser justo com o povo.
A inelegibilidade de Bolsonaro e a indefinição de um nome da extrema direita para concorrer o pleito presidencial te preocupam? E como você avalia esse cenário: prós e contras?
A força da direita no Brasil deve-se única e exclusivamente à Bolsonaro, fico despreocupado quanto a isso, continuamos com a convicção de que ele é o nosso candidato em 2026, nem passa pela minha cabeça outro nome. Somos Bolsonaro em qualquer circunstância.
Para finalizar, por que você quer ser deputado estadual?
Tenho certeza que posso contribuir para o crescimento do nosso estado, estou pronto para isso, não irei decepcionar os capixabas.



