Nos dias 7 e 8 de novembro de 2026, a Casa Roxa Cultural realiza a segunda edição do EWÉ KÀWÉ — Caminhos Verdes: Acampamento de Axé, encontro ecocultural voltado às comunidades de matriz africana, juventudes, artistas, educadores e famílias.
A programação na Estância Vargas, região do Penedo, propõe acolhimento, convivência próxima à natureza, educação antirracista, valorização da ancestralidade e respeito à diversidade religiosa. Segundo a organização, a edição de 2025 reuniu mais de 200 pessoas.
O embarque está previsto para 7 de novembro, às 14h, no Império de Cobra Coral, bairro Acapulco, com destino à Estância Vargas. O encontro integra dois projetos culturais distintos, realizados em dias complementares: a etapa municipal de 7/11, proposta por Juciane de Souza Nascimento, e a etapa estadual de 8/11, proposta por Guilherme de Souza Nascimento.
Dois dias de experiências ecoculturais
No sábado, a programação inclui encontros sobre consciência, meio ambiente e patrimônio, com Guilherme Nascimento e convidados; territórios de axé e resistência cultural, com Bruno Motta e convidados; trançados, turbantes e identidade afro-brasileira, com Natália Santos e convidados; e oficina com ervas e trilha ancestral, com participação do Babalorixá Adriano de Xangô.
Intervenções artísticas com grupos convidados, encerramento ancestral com lideranças religiosas, alimentação e pernoite integram a convivência coletiva. No domingo, as atividades continuam com vivências ambientais e ancestrais, diálogos sobre sustentabilidade e racismo ambiental, folhas sagradas, expressões artísticas afro-brasileiras e momentos de confraternização.
O contato com a natureza aproxima saberes tradicionais, memória coletiva e a defesa de um meio ambiente equilibrado.
Estado laico, educação e respeito
“Há quem confunda o ensino das culturas afro-indígenas com imposição ideológica. Mas conhecer quem é Exu, quem é Tupã, compreender os orixás e as divindades indígenas não significa obrigar ninguém a seguir uma crença. Significa ensinar história, cultura e identidade brasileira. A liberdade de cátedra, o pluralismo de ideias e a laicidade do Estado precisam ser respeitados. A escola pública e os serviços públicos devem atender a todos, independentemente de religião. Conhecer não é converter. Nosso acampamento existe para lembrar a cada filho e filha de axé que sua história tem valor, que sua fé merece respeito e que sua presença na sociedade é um direito. — Guilherme Nascimento, proponente da etapa estadual”.
“Ter uma iniciativa de matriz africana aprovada em um território ainda tão conservador e tradicionalista é uma vitória. Estamos muito felizes em realizar mais uma edição em parceria com o Império de Cobra Coral e agradecemos especialmente ao Babalorixá Adriano de Xangô pela parceria. Se existe apoio público para a Marcha para Jesus, também deve existir espaço e apoio para o Acampamento de Axé e outras manifestações de matriz africana. Isso é fortalecer o Estado laico e compreender que a cultura precisa ser democrática, diversa e descentralizada. — Juciane de Souza Nascimento, proponente da etapa municipal”.
O encontro afirma que o respeito às religiões de matriz africana não se opõe a outras crenças: é parte da garantia constitucional de liberdade religiosa e igualdade de direitos. As atividades valorizam conhecimentos afro-brasileiros, expressões culturais, cuidado ambiental e a presença das comunidades tradicionais nos espaços públicos.
Realização e fomento
A etapa de 7/11 corresponde ao projeto municipal AWÉ KAWÉ — Caminhos Verdes, contemplado pelo Edital nº 01/2026 — PNAB Marataízes, Categoria 5 — Áreas Periféricas, com proponente Juciane de Souza Nascimento. A etapa de 8/11 integra projeto estadual de Guilherme de Souza Nascimento, com fomento do Funcultura/Secult-ES. São realizações administrativas independentes, articuladas em uma programação ecocultural conjunta, com participação da Casa Roxa Cultural e parceria comunitária do Império de Cobra Coral.





