Centro Margaridas promove tarde de conscientização em alusão ao Julho das Pretas

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No dia 24 de julho de 2025, o Centro Margaridas, referência técnica em políticas públicas voltadas para mulheres vítimas de violências no município de Cachoeiro de Itapemirim, realizou uma tarde de conscientização no território do bairro Nova Brasília.

O evento, aberto ao público, foi promovido em alusão ao Julho das Pretas, mês dedicado à valorização da luta e resistência das mulheres negras latino-americanas e caribenhas. Com rodas de conversa, intervenções culturais e espaços de escuta, o encontro teve como foco central os diálogos afrocentrados e o fortalecimento do combate à violência contra a mulher negra.

O Julho das Pretas, criado em 2013 por organizações do movimento de mulheres negras, é uma importante agenda de mobilização política e social em diversos estados brasileiros. A data culmina no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, e também reverencia Tereza de Benguela, símbolo da resistência negra no Brasil colonial.

Tereza foi uma liderança quilombola que comandou, no século XVIII, o Quilombo do Quariterê, no atual estado do Mato Grosso, desafiando o poder escravocrata com estratégias de organização política, econômica e militar.

Em 2025, o Julho das Pretas tem como tema nacional “Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem Viver”, trazendo à tona discussões sobre justiça racial, acesso a direitos, combate ao feminicídio e valorização das ancestralidades afroindígenas. O evento promovido pelo Centro Margaridas integra esse calendário de ações e reforça a importância de espaços que promovam o protagonismo da mulher negra em seus territórios.

Durante a tarde, moradoras do bairro Nova Brasília compartilharam suas vivências e dialogaram sobre estratégias de enfrentamento às múltiplas violências que atingem as mulheres negras. O encontro também destacou a necessidade de políticas públicas interseccionais, que considerem os marcadores de raça, gênero e classe social.

Segundo as organizadoras, a atividade é apenas uma das muitas ações que o Centro Margaridas planeja desenvolver ao longo do segundo semestre, reafirmando o compromisso com uma sociedade mais justa, equitativa e antirracista.

A memória de Tereza de Benguela, mulher negra, líder e símbolo de resistência, ecoa nos territórios como bairro Nova Brasília, onde novas formas de quilombo urbano se organizam por meio da coletividade, da escuta e da esperança.