Por Andressa Bessa da Silva Santos
A recente decisão do ex-presidente norte-americano Donald Trump, ao elevar as tarifas sobre produtos brasileiros para até 50%, reacende tensões comerciais e traz fortes impactos para empresários e setores produtivos do país. A medida, que atinge cerca de 36% do total exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, pode provocar uma desaceleração expressiva nas exportações e afetar diretamente o crescimento econômico nacional.
Em agosto de 2025, Trump anunciou uma sobretaxa de 40% adicional sobre os 10% já em vigor desde abril, elevando para 50% a tarifa sobre diversos produtos brasileiros exportados aos EUA. A decisão veio sem consulta prévia ao Brasil e está sendo contestada na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A medida acarreta em impactos diretos para os empresários brasileiros, como queda nas exportações. Com o aumento dos custos dos produtos brasileiros nos EUA, as exportações tendem a cair de forma significativa. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam para uma redução de até 2,44% no total exportado e uma possível retração de 0,16% do PIB nacional.
Os dados são alarmantes:
- Exportações afetadas: US$ 14,5 bilhões por ano;
- Empregos em risco: mais de 100 mil postos de trabalho;
- Perda estimada para o Brasil: até US$ 3 bilhões/ano;
- Setores com maior prejuízo: agroindústria, siderurgia, aeronáutica e alimentos industrializados.
Portanto podem ser observados os possíveis reflexos econômicos a redução de receitas cambiais, enfraquecendo o superávit da balança comercial; pressão sobre o câmbio, com potencial de valorização do dólar; queda no investimento, especialmente em setores voltados à exportação; desemprego em polos exportadores industriais e agropecuários.
A tarifa de 50% imposta pelos EUA pode ter efeito cascata. A tarifação imposta por Donald Trump não é apenas uma medida protecionista, mas um golpe direto à competitividade das exportações brasileiras.
Considerando ainda, a Reforma tributária, um novo sistema tributário interno em transição, os acionistas e empresários enfrentam: A necessidade de revisar planos de expansão internacional e priorizar mercados com menor risco político ou tributário; a obrigação de adaptar sistemas fiscais e ERPs para o novo modelo tributário brasileiro; a urgência de buscar eficiência operacional e tributária como diferencial competitivo; Riscos de perda de atratividade para investidores estrangeiros, frente à instabilidade regulatória e aos custos tributários crescentes.
Segundo Andressa Bessa da Silva Santos
Contadora, Especialista em Gestão Tributária e Consultora Empresarial.
“A nova política tarifária dos EUA exige atenção redobrada dos empresários brasileiros — não apenas no impacto sobre os custos, mas nas obrigações fiscais, compliance e planejamento estratégico.
Para empresas exportadoras, será essencial revisar a formação de preços, margem de lucro, e considerar estratégias de diversificação de mercados.
Além disso, recomendo atenção ao aproveitamento de créditos tributários e incentivos fiscais de exportação, como os regimes de drawback, RECAP e Reintegra, que podem amenizar as perdas.
No campo contábil, é fundamental rever projeções de fluxo de caixa e reavaliar os contratos internacionais, com apoio de contadores especializados em comércio exterior.
Este é o momento de empresários brasileiros adotarem uma postura proativa, buscando eficiência tributária e resiliência fiscal para enfrentar os impactos dessa crise internacional. Não estamos apenas diante de um desafio internacional, mas de um marco decisivo na forma como as empresas brasileiras se posicionarão globalmente. A contabilidade consultiva, o compliance e o planejamento estratégico se tornam pilares da sobrevivência e da competitividade empresarial.”



