A realidade dos renais crônicos é dura. Em todo o Espírito Santo, a logística do tratamento é cruel: acordam por volta das 2h, correm risco na estrada, chegam em casa às 23h e muitos têm fragilidades por conta da doença e da idade. O radialista e ex-vereador de Cachoeiro de Itapemirim, Antônio Geraldo, teve que mudar de cidade para manter a hemodiálise e ainda assim enfrenta os percalços da locomoção.
“Eu fazia hemodiálise na clínica da Santa Casa, em Cachoeiro. Em 4 de maio de 2024, fui transplantado. Infelizmente, um ano depois perdi o rim – peguei o Polioma, vírus que matou o rim, tive inclusive que retirar o rim transplantado devido ao vírus”.
Antônio é integrante da Associação de Renais Crônicos e Transplantados de Cachoeiro de Itapemirim. Há três anos, ele a então presidente Fátima Mendes concederam entrevista ao podcast Em Off Tv falando sobre as dificuldades do tratamento.
“Fiquei internado no hospital Meridional Cariacica uns 30 dias aguardando vaga em alguma clínica; surgiu a vaga na clínica DaVita Vitória. Com essa questão, mudei para casa do meu irmão, em Jacaraípe, na Serra. Mesmo assim, da Serra até a clínica é 1h de carro”, contou.
Segundo ele, os municípios da Grande Vitória não têm Associação dos Renais Crônicos e há muitos problemas a resolver. Geraldo criou um grupo de whatsapp chamado Renais na Estrada, onde os pacientes se organizam e trocam informações.
Reforço em Cachoeiro
Atualmente, 72 pacientes de Cachoeiro de Itapemirim são enviados a outros municípios para fazer hemodiálise. No entanto, essa situação pode ser revertida: na segunda-feira (15) será inaugurado o serviço de hemodiálise do Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (Hifa) que começa a funcionar na semana seguinte.
Foram adquiridas 47 máquinas, com investimento de R$ 2,7 milhões. A estrutura permitirá ampliar a oferta de Terapia Renal Substitutiva (TRS) na região, reduzindo deslocamentos de pacientes e fortalecendo a rede de atenção especializada.
Durante coletiva de imprensa, que aconteceu nessa terça-feira (9), no Centro de Manutenção Urbana (CMU), enm Cachoeiro, o secretário estadual de Saúde, Gleikson Barbosa dos Santos, garantiu que esses cachoeirenses serão atendidos na própria cidade.
“Graças a Deus, em breve, estarei de volta a nossa Cachoeiro”, comemorou Antônio Geraldo.


