Uma coisa é certa sobre o governador Ricardo Ferraço (MDB) diante das eleições que se aproximam: é um pré-candidato competitivo, conforme apresentou a pesquisa realizada no final do mês de abril deste ano (informações completas do levantamento estão no final deste texto). No entanto, é necessário observar alguns detalhes que os números estão dizendo.
Claro que, faltando cinco meses para o pleito, a recente pesquisa pode ser considerada embrionária; porém acende uma luz sobre o chão que os pretendentes ao palácio Anchieta irão pisar.
Inicio pelo detalhe mais curioso da pesquisa: em um cenário sem o ex-governador Paulo Hartung (PSD), a maioria dos seus votos não vai para o integrante de seu projeto político Lorenzo Pazolini (Republicanos), que deixou a prefeitura de Vitória no início de abril, e sim para Ricardo.
Diante de diversas hipóteses, é possível que o eleitorado, que respondeu às perguntas, ainda atrele um ao outro; uma vez que Ferraço já foi vice de Hartung (2007-2011). Porém, essa situação é um castelo construído na areia; ou seja, pode desmoronar quando PH publicitar seu DNA político afeito a Pazolini.
Uma leitura que este jornalista considera importante é de que a polarização política nacional se concentra, em maior parte, na disputa presidencial dentro do Espírito Santo. Quando a disputa é para governador, os eleitores que avaliam plano de governo ou que validam ou não a continuidade de um projeto de Estado são em quantidade maior diante da militância de esquerda ou de extrema-direita. Vide as últimas eleições.
Nesses extremos, Ricardo pode encontrar dificuldades caso transite, em discursos, nesses ‘terrenos contaminados’ pela idolatria. Dentre os 17% de indecisos, que decidem o vencedor na urna, estão aqueles que escanteiam as baixarias eleitorais.
É preciso se vestir da bandeira do Espírito Santo, esquivar-se da ‘briga de foice no escuro’ nacional e mostrar o seu conhecimento das necessidades dos municípios, seus projetos desenvolvimentistas em andamento e futuros. Ou seja, ser um estadista.
E não há dúvida de que para reforçar essa liturgia é imprescindível estar ladeado com o recente ex-governador Renato Casagrande (PSB). A batalha será dura e vencerá o melhor estrategista.
Registro da pesquisa
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada por A Gazeta, foi realizada entre os dias 25 e 28 de abril, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-03176/2026.


